A escritora e jornalista brasileira Ivna Chedier Maluly transformou a descoberta de uma doença grave em algo maravilhoso: um livro infantil escrito para o filho, mas com uma mensagem para qualquer criança.

Em texto exclusivo para o Mães no Mundo, ela divide essa história conosco.

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Escrever para crianças faz bem ao coração

Por Ivna Chedier Maluly, mãe convidada

Escrever para crianças é, inevitavelmente, obedecer aos sinais do coração! Sempre foi assim comigo, e acho que – para muitos escritores – o sentimento é o mesmo.

Eu adoro estar e entrar em contato com esse público inventivo, de imaginação sem fim, que surpreende com tiradas inteligentes, arrancando risadas de quem está por perto.

É tão bom que, para a minha sorte, publiquei quatro livrinhos para crianças destinados aos baixinhos de 0 a 7 anos.

Acho que o fato de eu morar no exterior, mais precisamente na França, intensificou ainda mais o meu desejo de escrever, lançar e continuar adquirindo obras em português para manter a língua portuguesa sempre viva, especialmente com o meu filho.

Aliás, graças a ele, resolvi colocar no papel os primeiros relatos de quando eu estava doente. Descobri que estava com câncer de mama em 2009 e que o tratamento seria longo e pesado. Aquele sentimento de insegurança, de que a vida não é eterna, tinha que ser expelido do meu corpo. E a escrita me salvou!

Escrevia para mim mesma, para o meu filho, para a minha família, para quem quisesse ler os textos. Eram pequenos contos feitos com muito amor, sinceridade. Era como se eu estivesse que explicar ao mundo que a culpa não era de ninguém, nem minha mesmo e que tudo ia acabar bem.

Foi então que, em 2010, saiu o primeiro livrinho, justamente sobre a ausência do seio e como explicar a uma criança que a mãe dela estava doente, intitulado Cadê o seu peito, mamãe? (Escrita Fina). Nos anos seguintes, vieram o Gabriel e a Fraldinha (Escrita Fina), Maria Luiza e a Banheirinha (Escrita Fina) e, por último, recentemente lançado somente em Bruxelas, O samba faz 100 anos (Projeto do Conselho de Cidadania da Bélgica e do Luxemurgo).

Todos os lançamentos tiveram contação de histórias, troca de ideias com as crianças e, em alguns deles, músicas ao vivo.

Leitura, um ato de amor

Acho que não inventaram coisa mais encantadora do que a leitura e o prazer de ler um livro para um filho. Sempre quis que o meu filho falasse o português. E isso somente eu poderia passar, pois o meu marido é francês.

Para conseguir isso, um dos meus recursos foi o de ler livros para ele desde que ele nasceu. Hoje, não me arrependo, além de ter passado um momento prazeroso ao lado dele, ter estabelecido um elo de amor, a língua foi se impondo. E deu certo! Ele fala e lê o português! Escreve pouco, mas se já se aventura…

O fato de eu escrever livros, é, na verdade, um bônus! Levo a ele e às outras crianças, que participam dos lançamentos, a nossa língua, além de conhecimentos sobre a nossa cultura, como foi o caso do livro ‘O samba faz 100 anos’, que aborda o primeiro samba gravado no Brasil, a música Pelo Telefone. O livro traz elementos fundamentais da nossa cultura e isso tudo é importante que nossas crianças saibam.

O samba, assim como outros assuntos, vão certamente sendo, pouco a pouco, inseridos e nos ajudando a construir um cidadão com referências do seu país de origem.

O português é nossa maior herança

livro samba capa

Este exemplo de ler livros para os nossos filhos é somente uma das ações dentro de um mundo de atividades das quais os brasileiros que moram no exterior podem participar. A importância do Português como Língua de Herança (PLH) vem ganhando crescente atenção de profissionais e pesquisadores da área. Em Bruxelas, cidade onde morei por 12 anos, conheço as ONGs que trabalham com este intuito, que é a OCA Brasilis e o Raiz Mirim.

Portanto, incentivo a todos, mamães e papais brasileiros e lusofalantes a lerem, a escreverem, a participarem de encontros com a comunidade de língua portuguesa, a frequentarem cursinhos de português…para que, juntos, tenhamos filhos bilíngues e felizes com as suas línguas de origem.

Como falo, tudo o que vem do coração é sincero – e a língua também vem de lá. Por experiência própria, vale a pena estimular as nossas crianças, por mais que seja difícil, por mais que haja resistências da parte dos nossos pequenos. Mas aconselho que você comece já, antes que seja tarde.

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Quem quiser saber mais sobre essa mãe incrível, pode dar um pulinho na página dela: https://www.facebook.com/ivnachediermaluly

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