Por Renate Krieger

Grande parte das mães que escolhem amamentar passam por dificuldades para fazê-lo, mas não sabem onde procurar informações ou ajuda.

Nas nossas andanças pelo mundo, descobrimos que a primeira fonte de informação costuma ser o hospital, ginecologista ou parteira, que pode dar assistência e indicar grupos de aleitamento, dar dicas de como acertar a pega do bebê e assim por diante. Procure informações na sua região.

Mães no Mundo também resolveu procurar alguns sites e organizações que podem ajudar com informações e contatos sobre dar o peito para os bebês.

Abaixo, uma lista por país e organizações internacionais, assim como alguns comentários sobre as nossas experiências:

Organização Mundial da Saúde (OMS)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo (o órgão define essa “exclusividade” como somente leite materno, não considerando nem água) até os seis meses de idade do bebê.

Depois disso, a indicação é que, acompanhando com comida própria para a idade, se continue dando o leite do peito até os dois anos (e, segundo o órgão, pode ser dado além disso).

O colostro, leite amarelado e grosso produzido no fim da gravidez, é recomendado pela OMS como a “comida perfeita para o recém-nascido”. A mamada deveria ser iniciada durante a primeira hora após o parto.

“A amamentação também é parte integrante do processo reprodutivo, com implicações importantes na saúde das mães”, diz a organização em seu site. “Reduz o risco de câncer de ovário e do seio e ajuda a espaçar as gestações. O aleitamento exclusivo de bebês com menos de seis meses de idade tem um efeito hormonal que frequentemente induz a falta de menstruação. É um método contraceptivo natural (mas não à prova de falhas)”, continua o texto da OMS (é verdade: posso ser uma exceção à regra, porque depois dos meus dois partos tive a primeira menstruação cerca de 20 dias depois do fim do sangramento do pós-parto).

Você pode obter uma tabelinha da OMS (em inglês) sobre que tipo de comida dar com que idade clicando aqui.

Unicef

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) possui um manual bastante completo e extenso sobre o aleitamento materno, entre outros com foco em Portugal. Recomendamos a leitura do ponto 9 (“Como ultrapassar pequenas dificuldades”) do documento – ainda que as dificuldades descritas na brochura, na nossa opinião, não sejam lá sempre “pequenas” (quem aí já teve mastite ou princípio de mastite sabe o quanto é penoso e doloroso, por exemplo, não)?

Eis o link para o documento em formato PDF:

https://www.unicef.pt/docs/manual_aleitamento.pdf

Além das dicas listadas no texto do Unicef, também já passamos por experiências ligadas a dificuldades na amamentação. Eis aqui algumas dicas complementares para alguns dos problemas listados no texto:

  • Mamas inchadas (ingurgitadas), dutos bloqueados e mastite (duto mamário infectado): tome uma chuveirada morna, massageando os seios (ou o seio afetado) de modo a retirar o leite.
  • Colocar o bebê para mamar com frequência no seio afetado;
  • Ordenhar o leite com uma bombinha;
  • Fazer compressas frias (ou com um protetor de seios molhado e colocado na geladeira durante algumas horas, ou com uma fralda cortada ao meio, “recheando-a” com iogurte natural frio, por exemplo) logo após retirar o leite para aliviar a dor.
  • Pode parecer controverso, mas uma compressa fria com folhas de couve e iogurte também ajuda. Essa é uma dica que a Renate recebeu na Alemanha. Fez uma vez e deu certo, mas preferiu a versão do protetor de seio (ou da fralda) gelado (é mais prático e mais higiênico, não dá tanto trabalho para limpar os seios depois). 

La Leche Liga

A organização não-governamental (http://www.llli.org/) foi fundada há 51 anos nos Estados Unidos. Não tem representações em países africanos, mas pode ser contatada por e-mail e por telefone em Portugal e no Brasil (Maceió e Brasília).

Portugal: http://www.llli.org/portugal.html

Brasil: http://www.llli.org/lllbrasil/maceio.html ou http://lll-brasilia.blogspot.com/

Alemanha

Na Alemanha, o sistema público de saúde assegura o acompanhamento gratuito (ou seja, pago pelo plano público de saúde) de uma parteira no pós-parto. Ela visita a mãe para acompanhar o desenvolvimento da criança nas primeiras semanas, verificar a recuperação da mãe (cicatrizes, retração do útero) e dá dicas de amamentação.

A parteira também pode ser chamada quando o bebê completa seis meses de idade, sem nenhum custo adicional. Além da consulta pediátrica onde os pais podem tirar dúvidas sobre a introdução de alimentos sólidos, a parteira faz visitas domiciliares durante esse período para ensinar a fazer as primeiras papinhas, dar dicas de nutrição e ver como a criança se adapta à nova realidade.

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Para quem mora na Alemanha e/ou fala alemão, eis alguns links:

  • Bundesinstitut für Risikobewertung (Instituto Federal de Avaliação de Riscos, em tradução livre), que abriga a Comissão Nacional de Aleitamento Materno (Nationale Stillkommission): publicou inúmeros documentos sobre a amamentação – e este ano intensificou a cooperação com autoridades de segurança alimentar na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). O mais importante e de fácil compreensão, na nossa opinião, é este: http://mobil.bfr.bund.de/cm/343/stillen_richtiges_anlegen_und_saugen.pdf.

As informações estão em alemão, mas as fotos são praticamente autoexplicativas. A foto 2 (Bild 2) mostra a forma incorreta de colocar o bebê no peito.

  • Este outro documento (em inglês: stillempfehlungen-fuer-die-saeuglingszeit-englisch), da Nationale Stillkommission, lista recomendações sobre a amamentação e também endereços de organizações como a Associação de Conselheiras de Lactação da Alemanha (tradução livre). O PDF também pode ser obtido em alemão, francês, italiano, turco e russo. Basta clicar aqui e depois em Stillempfehlungen.
  • Nos hospitais na Alemanha, também existem contatos para grupos de lactação e aleitamento, basta perguntar.

Brasil e outros países lusófonos

Há cerca de um ano, em março de 2016, a OMS destacou que o Brasil é “referência mundial” em políticas de aleitamento materno.

Para nós, um dos destaques dessa notícia fica por conta dos Bancos de Leite Humano. Segundo dados de 2016, “A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano possui 292 unidades em todo o mundo – implantadas em 21 países das Américas, Europa e África –, das quais 72,9% estão no Brasil (213).”

No continente africano, os Bancos de Leite Humano (BLHs) foram ou deverão ser implementados em Angola, Cabo Verde e Moçambique*.

  • Angola: existe um projeto para implementar um BLH na maternidade Lucrecia Paim, em Luanda.
  • Cabo Verde: em 2011, foi introduzido um BLH no Hospital Central da Cidade da Praia.
  • Moçambique: há um plano de implementar um BLH no Hospital Central de Maputo, segundo informações da Fiocruz, responsável pela Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano.

Independentemente da Rede, no entanto, também é possível procurar informações nos hospitais brasileiros a respeito da doação de leite materno, por exemplo. O leite doado pode ser encaminhado, entre outros, para a UTI neonatal da instituição.

Código nacional para a comercialização de fórmulas no Marrocos
Código nacional de comercialização de fórmulas do Marrocos: é proibido oferecer presentes ou amostras aos profissionais da saúde, por exemplo

Marrocos

Assim como em outros países, o Marrocos também possui uma legislação que regulamenta a publicidade de fórmulas para bebês, além de estimular o aleitamento materno.

Em entrevista ao Mães no Mundo, a parteira Khadija Mahrouki, de 26 anos, explicou que a recomendação de amamentar exclusivamente o bebê durante os primeiros seis meses de vida e de continuar amamentando a criança até os dois anos de idade, com nutrição complementar, é regra no país.

No vilarejo litorâneo de Sidi Ouassai, Khadija trabalha numa casa de parto que atende principalmente o ambiente rural – em caso de complicações, a gestante é encaminhada para o hospital em Agadir, a cerca de 70 km ao norte da cidade. “Estimulamos as mães que dão à luz aqui colocar o bebê no peito meia hora depois do parto”, explicou.

“Quando a mãe tem dificuldades, pedimos ao médico responsável que prescreva leite artificial”, continuou.

Uma prática que, segundo relatos da imprensa local publicados entre 2011 e 2015, está em ascensão no país do norte africano. Em ambientes rurais, a taxa de mães que amamentam é maior que nas grandes cidades.

*Pedimos às nossas queridas leitoras e queridos leitores dos países da CPLP que nos ajudem a atualizar as informações sobre essas regiões. Tem dúvidas ou alguma outra dica de fonte de informação? Mandem um e-mail para maesnomundo@gmail.com ou deixem uma mensagem lá na nossa página no Facebook!

 

 

 

 

 

 

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