Por Cíntia Cardoso (colaborou Renate Krieger)

Ao longo da gravidez ou do processo de adoção, nós, mães, já vamos mudando. Para muitas, a mudança é instantânea. Para outras, mais gradual. Mas uma constatação é unânime: nós mudamos e vamos mudando para sempre.

Uma amiga de São Paulo, Brasil, me disse que a principal modificação na sua vida após a maternidade foi o fato de se tornar uma pessoa mais “preocupada” com tudo: a filha, com o planeta e com a sociedade na qual vivemos. Para outra, foi uma mudança física para qual ela não estava preparada. “Minha memória ficou péssima. Eu não conseguia lembrar de horários, de conpromissos, de pagamentos, era como se a cabeça só conseguisse pensar na minha filha”, relatou a mamãe de Nova York. Essa sensação de alterações cerebrais é confirmada pela ciência. Estudos mostram que o cérebro das mães sofre mesmo modificações para se adaptar à nova função.

Nesse Dia das Mães em muitas partes do mundo (a curiosa lista das diferentes datas de Dia das Mães está aqui), o Mães no Mundo quis ouvir quais foram as principais transformações na vida de mulheres que passaram a ser responsáveis pela vida de pequenos seres.

1. Passei a ser “duas pessoas”

Fiquei muito sensível aos casos de maus tratos a crianças. Não suporto quem diz educar com violência. Bater em criança pra mim é abuso de poder.
Férias, passeios… Tudo é gerado com mais limites. Saio, aproveito, mas sei que não vou ter mais aquela manhã inteira para recuperar da ressaca.
Por fim, sua vida torna-se duas para sempre. De um lado, penso como mulher e, por outro, penso como alguém responsável pelo futuro de uma outra pessoa.

Adriana, Yvelines (França)

2. Mudei minhas prioridades

Mudei em relação às prioridades. Hoje, sendo mãe de dois, sempre coloco as necessidades dos meus filhos em primeiro lugar. Se eu tenho um dinheiro extra, compro sempre alguma coisa para os meus filhos, há um bom tempo não compro nada para mim. Se minha filha pede colo, eu paro o que estou fazendo para dar o “colinho”. Se temos fome, eu sempre alimento meus filhos antes dos outros e por aí vai…

Tatiana, Toulouse (França)

3. Fiquei mais emotiva e atenta

Passei a reparar em coisas nos lugares e perceber como não estão preparados para receber uma criança, seja em estrutura, seja em comida. Falo de corredor apertado, não caber carrinho, etc. etc.

E em mim, por dentro, tem um sentimento que eu não conhecia com essa intensidade, que é me emocionar por meio do meu filho, quando​ ele se realiza ou fica feliz, é muito emocionante. Sempre choro.

Daniela, Rio de Janeiro (Brasil)

4. Tornei-me uma cidadã mais consciente

Mudou minha visão de cidadania: quero dar um exemplo melhor e um futuro melhor para minha filha.
A ficha sobre a desigualdade de gênero caiu de verdade. O buraco é muito mais embaixo quando você vira mãe.

Elisa, Rio de Janeiro (Brasil)

5. Minha visão de carreira profissional mudou

Minha relação com o trabalho mudou completamente. Passou para o segundo plano. Isso considero um ganho que maternidade me trouxe.

Taissa, Paris (França)

6. Entendi melhor minha mãe

Passei a compreender as preocupações que a minha mãe tinha comigo.

Ivna, Lyon (França)

7. O instinto de proteção é mais forte

Meu filho tem sempre prioridade. Tiro comida da minha boca para dar para ele, mesmo estando gráviďa [do segundo]. Viro bicho se qualquer coisa o ameaçar.

Por exemplo, antigamente tinha medo de aranha. Hoje, se alguma chega perto do meu filho [de quase 3 anos], o instinto protetor age mais rápido que o medo.

Jaqueline, Bonn (Alemanha)

8. Minha versão mãe domina

A versão “mãe” ofuscou todas as outras versões de mim mesma. Os filhos são mais importantes que carreira e despertam a melhor versão de nós mesmas.

Foi por isso, também, que parei de trabalhar por um tempo. Mas sinto que falta tempo para mim mesma, já que o Max não vai para a escolinha e está 24 horas do dia comigo.

Estou feliz por vê-lo crescer assim, de pertinho. Não me arrependo de ter pedido demissão. Mas acho que ainda preciso encontrar um equilíbrio nisso tudo.

Karen, Brielle (Holanda)

9. Descobri outras maneiras de amar

Eu aprendi uma outra forma de amar! É um clichê, mas sem dúvida a maior mudança que a maternidade me trouxe foi a capacidade de amar de tal forma, que todos os amores parecem menores.

Luciana, Lisboa (Portugal)

10- Passei a ver a vida com outros olhos

Meu filho revelou o melhor em mim. Ele trouxe à tona o melhor que há em mim. Às vezes também me pego vendo o mundo através do seu olhar com toda sua inocência e curiosidade de criança.

Renata, New Jersey (EUA)

11-Amadureci

Num primeiro momento, deixei de ser dona de mim, dos meus horários, das minhas necessidades e tudo passou a girar em torno deles. Mas não me fez mal porque já tinha consciência de que isso ia passar e que era importante existir esse momento.  Mas, atualmente, já consigo ser dona de mim, das minhas vontades e necessidades. Então essa mudança eu vejo para melhor porque me amadureceu.

Aline, Rio de Janeiro, Brasil

Enfim, ao nos tornarmos mães descobrimos que podemos ter super poderes e, ao mesmo tempo, termos a certeza de que não sabemos absolutamente nada.

 

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