Por Renate Krieger

Este não é um blog de viagem, mas mesmo assim decidimos descrever alguns destinos para animar o pessoal a pegar a estrada com as crianças. Depois que o marido tirou uma licença paternidade de alguns meses (eu também estou de licença) do trabalho na Alemanha, nossa família conseguiu comprar um motor-home e decidiu desbravar o Marrocos, com direito a passagens pelo sul da Europa.

O relato a seguir é um resumo do que vimos na França antes de pegar a balsa para a África.

A viagem começou nas proximidades de Bonn, na Alemanha, mas logo passou para o lado francês da fronteira rumo ao litoral mediterrâneo da Espanha.

O objetivo era chegar relativamente rápido a Algeciras, de onde pegamos a balsa para o continente africano. Relativamente é a palavra certa – com duas crianças pequenas, as paradas estratégicas são fundamentais e respeitam o ritmo e as necessidades das meninas. Não contávamos, por exemplo, passar dois dias em Murcia, onde acabamos ficando por causa da bebê em estado febril – anunciando a chegada do primeiro dentinho dela.

Tanto na Europa quanto no Marrocos, tampouco escolhemos ver grandes centros urbanos – a recomendação de alguns guias de viagem no país do norte africano, inclusive, é de evitar aglomerações.

Por isso, os guias que elaboramos incluem lugares que achamos que vale a pena visitar com as crianças – a mais velha pôde ir com o patinete na maior parte das vezes e a mais nova ficava no carrinho ou no canguru (item essencial tanto para a viagem quanto para o dia a dia da família nômade).

Arles

O que fazer – A cidade que ficou conhecida, entre outras coisas, pela presença do pintor holandês Vincent Van Gogh em 1888 e 1889 acabou sendo uma parada estratégica de apenas algumas horas, mas muito rica em termos culturais. Dormimos num camping a cerca de 12 quilômetros da cidade depois de passear pelo centro turístico e deixar a nossa filha mais velha se divertir nos brinquedos do parquinho no parque Jardin d’Eté, diante do qual estacionamos o motor-home.

Também demos uma volta para conhece20161123_fr_arlesfassader o anfiteatro e o obelisco de Arles. As ruas que levam ao obelisco são estreitas e convidam a flanar – o que pode ser difícil, mas não é impossível com duas crianças pequenas – especialmente porque estávamos no meio da semana em meados de novembro, um sinônimo de cidade vazia. Destaque para as fachadas das casas, que parecem sempre revelar surpresas para olhos mais atentos (foto).

O “roteiro” Van Gogh inclui a Fundação Van Gogh, que pela indicação da funcionária no centro turístico é um espaço interessante para crianças da idade da nossa mais velha (quase três anos). Infelizmente, não pudemos conferir porque seguimos viagem já no dia seguinte.

O Café la Nuit é parada obrigatória – mas só do lado de fora. A indicação que obtivemos foi de não comer lá porque, aparentemente, o serviço é feito de má vontade e a comida deixa a desejar.

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O Café la Nuit ficou famoso ao ser retratado pelo pintor Vincent Van Gogh

Para quem não gosta de turismo em cidades, o Parc Naturel Régional de Camargue oferece várias opções de passeios. Recomendamos explorar produtos regionais que nos surpreenderam, como o arroz e o sal – além, é claro, do vinho do departamento Bouches-du-Rhône. Inúmeras placas na beira da estrada tentam o viajante a se embrenhar pelas estradas estreitas e visitar um dos vinhedos da área.

Onde ficar – há um estacionamento para motor-homes em Arles, às margens do Rhône, que não usamos por risco de inundação.

Foi difícil encontrar um camping no final de novembro, mas o La Chapelette, a 12 quilômetros da cidade, estava aberto. Eletricidade, duchas de água quente e banheiro por 21 euros por noite. A internet é paga à parte e custa 4 euros por 24 horas.

Narbonne

Situada na região da Occitanie, no sul da França, a cidade fica no coração do parque natural Narbonnaise en Mediterranée. Na viagem até lá, o destaque fica por conta das paisagens de vinhedos, bonitos também no outono e no inverno, com os galhos secos e retorcidos e folhagem amarela. O Canal de la Robine atravessa a cidade e foi classificado como patrimônio mundial da humanidade pela Unesco.

Onde comer – no mercado municipal, ou Halles de Narbonne, com destaque para venda de produtos locais: queijos, vinhos e, sobretudo, carnes, linguiças e rillettes.

Conseguimos parar o motor-home em frente ao edifício histórico. A maior parte das lojas já estava fechando no início da tarde, mas o estande Chez Bebelle – na verdade, são três, um deles apenas com mesas para abrigar os muitos visitantes, e outro com um açougue onde os cortes de carne dos pedidos são feitos na hora – fervilhava.

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Nas Halles de Narbonne, burburinho à volta do estande Chez Bebelle

O conceito do local: o dono, Bebelle, anota o nome de um dos membros da família ou grupo que quer comer e passa o pedido para o açougue em frente ao estande-restaurante via megafone. Acomoda as pessoas nas mesas ou à volta do bar (também chamando pelo megafone).

O chamariz é a carne de cavalo, típica da região e um dos pratos que parece sair mais. Só não provamos porque fizemos um pedido em conjunto para a nossa filha mais velha e não queríamos inventar. Outro prato típico e saboroso são as tripas, servidas com molho, legumes e pão. O preço não chega a ser salgado, mas tampouco é barato: deixamos cerca de 50 euros na casa por um prato de tripas, um entrecôte de vaca, dois copos de vinho local, duas garrafinhas de suco de fruta e uma sobremesa. Os custos podem ser conferidos aqui.

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