Por Cíntia Cardoso

Meu filho mamou no peito até 1 ano e meio e, mesmo durante a fase de transição, sempre gostou de leite de vaca. Hoje, com seis anos, continua gostando de leite e iogurte. Mas depois de anos com umas alergias intermitentes na pele e depois de  trocar de cremes, pomadas, sabonetes, sabão para lavar roupa etc, a nova pediatra suspeitou que o pequeno possa sofrer de intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite. Como os testes de sangue não são muito eficientes para identificar o problema, vamos ter que encarar um período de várias semanas sem leite para ver no que dá.

A princípio, a tarefa parecia simples. Mas, meu povo, existe leite na composição de quase tudo o que há no mundo alimentar infantil. Biscoitos (bolachas), pães, achocolatados. Depois de uma operação pente fino no armário, sobrou pouca coisa sem leite ou sem traços de leite na receita. E o filhote, como fica? E a sua vidinha social? E as refeições na escola?

A pediatra foi bem compreensiva e nos orientou bem nessa fase que pode ser transitória (ou definitiva) de vida sem leite de vaca. E isso foi que o que aprendi nessa primeira semana.

1-Explicar tudo bem direitinho para a criança

No caso de crianças maiores, não dá simplesmente para dizer que o leite está proibido. E que ele não vai mais comer chocolate nem bolo na casa dos amigos. A criança precisa fazer parte do processo. A  nossa pediatra explicou com bastante paciência o porquê de fazermos esse teste e disse que poderíamos encontrar produtos substitutos gostosos. Isso deixou meu filhote bem confiante. Ele só ficou triste de dar tchau ao chocolate, mas estamos buscando alternativas.

2-Lendo os rótulos

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Novas descobertas do supermercado

Passei a semana separando o que servia e o que não servia para o novo regime alimentar. Depois, hora de fazer as compras no supermercado de olho nos rótulos. Não pode ter leite nem proteína de leite nem traços de leite, nem manteiga, nem creme de leite…

3- Encontrando alternativas

Para substituir o leite de vaca, a médica indicou leite de arroz enriquecido com cálcio. Ela desaconselhou o leite de soja para crianças por conter hormônios. O leite de amêndoas também foi descartado como uma opção diária ao leite de vaca. “Melhor dar amêndoas de verdade para a criança comer”, disse a pediatra. O leite de aveia também entrou na lista de substitutos, mas apenas as receitas enriquecidas com cálcio.

No lugar do achocolatado em pó entrou o cacau puro em pó adoçado com açúcar mesmo. Eu gostei tanto dessa opção que vou continuar adotando mesmo se não for confirmada a intolerância à lactose do meu filho.

Achei um pão de forma sem leite na receita, mas a médica prefere pão da padaria mesmo. De preferência com fermentação natural (algo que nós, os adultos da casa e o outro filho de dois anos, que não gosta de pão industrializado, já comemos).

4-Procurar novas fontes de cálcio 

Se não podemos mais contar com o nosso leitinho de cada dia, vamos reforçar a ingestão de cálcio com aveia, lentilha, brócolis, espinafre. Achei essa lista bem interessante. O negócio é botar a imaginação pra funcionar. Vou adaptar algumas receitas que já testamos e criar coisas novas.

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Dia de comer crepes. Vivendo com alergia e alegria.

Crepe com leite de amêndoas

  • 250 g de farinha
  • 1 pitada de sal
  • 1 colher de sopa de óleo (eu uso de girassol)
  • 1 colher de café de açúcar
  • 2 ovos
  • 550 ml de leite de amêndoas

Modo de fazer:

Colocar todos os ingredientes num liquidificador. Bater bem até a massa ficar lisa e com a consistência cremosa. Deixar descansar 30 minutos antes de colocar na frigideira. Se a massa estiver grossa, acrescentar mais um pouco do leite de amêndoas.

Como fritar os crepes:

  1. Aqueça uma frigideira antiaderente de 18 cm de diâmetro, pincele generosamente com óleo  (assim, não corre o risco de a massa grudar na frigideira).
  2. Retire a frigideira do fogo e despeje rapidamente 1 concha da massa preparada. Gire rapidamente a frigideira, inclinando-a em todas as direções de modo que a massa seja distribuída de forma homogênea e forme uma camada bem fina.
  3. Volte a frigideira ao fogo e deixe cozinhar o crepe, em fogo médio, até que o lado inferior esteja dourado e as bordas comecem a se desprender. Esse processo deve durar cerca de 1 minuto.
  4. Vire o crepe com uma espátula, com um movimento rápido e firme. Se preferir, use 2 espátulas ou deslize o crepe para um prato, como se fosse um omelete, e volte à frigideira. Cozinhe por 1 minuto e transfira o crepe para um prato.

*Adaptação de mais receitas: aqui e aqui.

 

5-Não transformar em drama

Em vez de focar no que ele não pode comer, vamos focar no que ele poderá comer e sobrou muita coisa que ele gosta. Parece uma dica boba, mas não é. Se o tempo todo a pobre da criança ficar pensando no que ela não vai poder comer, pode até desenvolver transtornos alimentares (bate na madeira!).

Esse foi o relato da nossa primeira semana sem leite. So far so good.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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