Por Renate Krieger

Durante a etapa portuguesa da nossa viagem de motor-home por Europa e Marrocos (saiba mais sobre a jornada da nossa pequena família nômade aqui e aqui), paramos na praia Amado, no Algarve, um local bastante procurado por surfistas.

A exaustão que sentimos com as pirraças das nossas filhas – irritadas em ficar tanto tempo dentro do carro – desapareceu assim que começamos a conversar com alguns dos ocupantes do estacionamento onde passamos a noite. Mais especificamente, depois que conhecemos Luna* e seu filho Nico*, uma dupla alemã que estava desbravando Portugal também num motor-home.

A estudante de fisioterapia de 29 anos adora viajar, já partiu sozinha de motor-home e de bicicleta e agora aproveita para transmitir seu espírito aventureiro para o filho de quase dez meses.

O Mães no Mundo quis saber como é, para ela, viajar sozinha com um bebê.

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Mães no Mundo – Admiramos a sua coragem em sair dirigindo um motor-home pela Europa. Não é difícil?

Luna – Eu sempre gostei de viajar, há alguns anos já saí de motor-home sozinha, também já viajei de bicicleta. Estou na estrada desde fevereiro. Mas, na verdade, faz apenas duas semanas que estou viajando sozinha com o Nico. No início, uma amiga veio junto e ficou umas cinco semanas comigo, para que eu conseguisse me adaptar à rotina de viajar com ele.

Desde que comecei a viagem, fiquei apenas uma semana totalmente sozinha. Sempre encontro gente nova com quem dá pra conversar e fazer amizades. Acho que não teria feito tantos contatos novos em um ano se tivesse ficado em casa. Acho que viajar é a melhor forma de criar os filhos quando se é mãe ou pai solteira/o – especialmente em Portugal, de acordo com a minha experiência.

MM – Até quando você vai ficar na estrada?

L – Ainda não sei – talvez eu passe o inverno no Marrocos para não passarmos tanto frio, mas não decidi. Já fui ao Marrocos com o Nico quando ele tinha alguns meses, fiquei pouquinho. Achei legal, mas me incomodou o fato de os marroquinos tocarem nele o tempo todo [algo que também acontece em Portugal e na Espanha].

MM – Você já sofreu algum tipo de preconceito por ser mãe solteira?

L – Não. Muita gente vem falar comigo dizendo que me admira por eu ter coragem de viajar sozinha com o meu filho. A maioria das pessoas tem muita disposição em ajudar. E já encontrei tanta gente diferente nessa viagem… famílias, mulheres ou homens viajando sozinhos…

MM – Você não sente falta do pai do seu filho do seu lado?

L – Foi uma decisão extremamente difícil saber que eu ia criar o Nico sozinha. Estava junto do pai dele há três meses quando engravidei [a relação terminou quando Luna estava no segundo mês de gravidez]. Antes disso, tinha tido uma relação e até já tínhamos falado em ter filhos, mas eu achei que não poderia porque tenho endometriose e nunca tinha dado certo.

Eu acredito que existam muitas formas de ser uma família. Nico não tem um papai, mas temos muitos amigos que o amam. Assim, ele tem tantos avôs e avós postiços e há pessoas que podem ser um modelo masculino para ele.

MM – Você não tem medo de viajar sozinha com ele? E se acontecer algo com vocês?

L –  Já me preocupei muito com a questão do que seria melhor para o Nico se me acontecesse algo. Mas [agora] não tenho mais medo na estrada do que teria vivendo na Alemanha.

MM – Como sua vida mudou depois da chegada do Nico?

L – Ser mãe solteira trouxe mais estabilidade para a minha vida. Me tornei uma pessoa mais tranquila e pronta para aceitar o que a vida me trouxer. Eu também sou mais independente e livre. Sei que não preciso de ninguém do meu lado para conseguir fazer tudo o que eu quiser – o que não quer dizer que eu não gostaria de dividir minha vida com alguém.

(*nomes fictícios devido às informações que Luna nos passou sobre o pai de seu filho. Parte do texto foi editada. Foram acrescentadas informações sobre os receios da entrevistada de viajar sozinha com o filho após a publicação do texto original)

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